A Chapeuzinho das ilhas

Grupo da UFMG promove a leitura literária em São Tomé e Príncipe


     

Letra A ‚ÄĘ Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2015, 18:07:00

Por Nat√°lia Vieira

‚ÄúPela estrada afora, eu vou bem sozinha, levar carambola para a vovozinha. Ela mora longe, o caminho √© deserto e o cachorro preto mora aqui por perto‚ÄĚ. Soa familiar? √Č a can√ß√£o da Chapeuzinho Vermelho, mas a Chapeuzinho das ilhas de S√£o Tom√© e Pr√≠ncipe ‚Äď pa√≠s que fica na costa africana ocidental e foi col√īnia de Portugal at√© 1975. Recontar esse cl√°ssico da literatura infantil foi uma das atividades realizadas por intercambistas do projeto ‚ÄúForma√ß√£o de Professores Brasileiros e Santomenses quanto ao aprendizado inicial da L√≠ngua Portuguesa pelas crian√ßas santomenses‚ÄĚ, parceria entre a UFMG e a Universidade P√ļblica de S√£o Tom√© e Pr√≠ncipe, por meio do programa Pr√≥-Mobilidade Capes/AULP.

O grupo, ao chegar a São Tomé e Príncipe, entregou uma doação de cerca de 500 livros e participou da inauguração da seção infantil da Biblioteca Nacional de São Tomé e Príncipe. Logo em seguida, os intercambistas perceberam que os professores não viam sentido em uma leitura que não viesse seguida de uma atividade pedagógica. Então investiram na formação para o trabalho com a literatura infantil, levando à biblioteca alunos das escolas.

Incorporar elementos da cultura santomense ao conto de Chapeuzinho Vermelho partiu de uma preocupa√ß√£o em apresentar hist√≥rias que fizessem sentido para o contexto no qual o grupo estava. ‚ÄúOs alunos falaram que tinham gostado porque se identificavam muito mais com a Chapeuzinho que tinha os tra√ßos da cultura santomense do que com a Chapeuzinho europeia dos livros infantis‚ÄĚ, conta uma das discentes do grupo, Bianca Ceres da Silva.

No final do interc√Ęmbio de dois meses, o foco na literatura infantil havia sido t√£o bem-sucedido que a biblioteca, que n√£o funcionava aos finais de semana, passou a ser aberta todos os dias.