Base Nacional Comum foi lançada na UFMG

Evento promovido pelo Ceale, nos dias 24 e 25, reuniu equipe da Base com representantes de secretarias e organiza√ß√Ķes cient√≠ficas


     

Acontece ‚ÄĘ S√°bado, 26 de Setembro de 2015, 15:30:00

Mais do que atualizar conceitual e metodologicamente o campo educacional, é importante construir mecanismos que garantam a equidade de oportunidades a todas as crianças brasileiras, e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é estratégia fundamental nesse processo.

Essa é avaliação feita pela professora Isabel Cristina Frade, diretora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale), da Faculdade de Educação (FaE) da UFMG e coordenadora institucional do processo, durante a abertura do Encontro Nacional de Lançamento da Base Nacional Comum Curricular, na manhã desta quinta-feira, no campus Pampulha.

Durante a cerim√īnia, a vice-reitora Sandra Goulart Almeida disse que a universidade p√ļblica n√£o pode deixar de se envolver com um tema t√£o relevante para os rumos do pa√≠s e que isso exige grande esfor√ßo coletivo. ‚ÄúPensar em algo comum, mas que tamb√©m precisa ser diverso, inclusivo, n√£o √© tarefa simples. No entanto, esse passo √© de extrema relev√Ęncia para a constru√ß√£o do projeto‚ÄĚ, definiu.

A coordenadora pedag√≥gica da Comiss√£o de Especialistas para elabora√ß√£o da Base Nacional, Hilda Aparecida Micarello, explicou que o documento preliminar buscou contemplar as diferentes realidades do pa√≠s e respeitar as singularidades das quatro √°reas de conhecimento ‚Äď Linguagens, Ci√™ncias Humanas, Ci√™ncias da Natureza e Matem√°tica.

Essa primeira etapa contou com a colabora√ß√£o de especialistas de universidades, professores da educa√ß√£o b√°sica e t√©cnicos de secretarias de educa√ß√£o. "N√£o se pode pretender que esse documento represente solu√ß√Ķes definitivas‚ÄĚ, advertiu a professora Micarello.

Caldeir√£o de interesses
Tamb√©m presente na abertura do Encontro, o diretor de Curr√≠culos da Educa√ß√£o B√°sica do Minist√©rio da Educa√ß√£o (MEC), √ćtalo Modesto Dutra, acredita que a base nacional curricular est√° longe de ser um tema consensual, sendo alvo de fortes embates acad√™micos. Ele ponderou que todo processo ‚Äútraz avan√ßos em rela√ß√£o a alguns temas e nem tanto em rela√ß√£o a outros‚ÄĚ e que a pluralidade de pontos de vista √© natural.

Para exemplificar o que chamou de ‚Äúcaldeir√£o de interesses‚ÄĚ, que comp√Ķem a discuss√£o do debate nacional, o diretor de curr√≠culos do MEC citou a manifesta√ß√£o de estudantes do curso de dan√ßa da UFMG, realizada na manh√£ de hoje, durante o encontro. Eles protestaram contra a proposta contida na BNCC de incluir o subcomponente curricular ‚ÄúDan√ßa‚ÄĚ como um dos eixos do componente curricular "Educa√ß√£o F√≠sica".

Os estudantes alegam que a dança é um campo específico do conhecimento e que, por isso, deve ser desvinculada da área de educação física. No entanto, especialistas da comissão de elaboração da BNCC presentes no lançamento argumentam que, na proposta preliminar, a dança é descrita como subcomponente de Arte e não da Educação Física.

Durante o encontro, que prossegue at√© esta sexta-feira, 25, especialistas da comiss√£o institu√≠da pelo Minist√©rio da Educa√ß√£o (MEC) para elaborar a proposta preliminar da Base e representantes de secretarias de educa√ß√£o e de organiza√ß√Ķes interessadas est√£o discutindo a primeira proposta do documento. No encontro, tamb√©m est√£o sendo fornecidas explica√ß√Ķes sobre o funcionamento do sistema de consulta p√ļblica, aberto no dia 16.

A Base Nacional Comum Curricular será a principal referência para orientar escolas, redes e sistemas de ensino na construção de seus currículos. Da creche ao ensino médio, estão sendo definidos os conhecimentos que todos os estudantes brasileiros têm o direito de aprender em cada etapa da educação básica.

Foto: Foca Lisboa/Cedecom