Encontro apresentar√° proposta para Base Nacional Comum Curricular

Com organização do Ceale e promoção do MEC, evento na quinta e na sexta apresenta documento preliminar de referência para a educação básica


     

Acontece ‚ÄĘ Ter√ßa-feira, 22 de Setembro de 2015, 15:17:00

Parte do grupo de especialistas em Linguagens, em reunião da comissão de elaboração da Base, realizada no Ceale em agosto

Para divulgar e discutir o papel e os objetivos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a UFMG vai sediar nas pr√≥ximas quinta e sexta-feira, 24 e 25, o Encontro Nacional de Lan√ßamento da Base Nacional Comum Curricular. O evento reunir√° a comiss√£o de especialistas convidados pelo Minist√©rio da Educa√ß√£o (MEC) para elaborar a proposta preliminar da Base e representantes de secretarias de educa√ß√£o e de organiza√ß√Ķes interessadas.

A primeira proposta do documento ser√° apresentada no encontro, que tamb√©m fornecer√° explica√ß√Ķes sobre o funcionamento do sistema de consulta p√ļblica, aberto no dia 16 para toda a sociedade.

O documento preliminar, dispon√≠vel para consulta e sugest√Ķes no¬†Portal da Base, foi elaborado por comiss√£o de 116 especialistas e 10 assessores, que representam 37 institui√ß√Ķes de ensino superior e de redes municipais e estaduais de educa√ß√£o b√°sica. √Č poss√≠vel contribuir de tr√™s formas: individualmente, como organiza√ß√£o da sociedade civil e por um canal ligado √†s escolas e redes de educa√ß√£o b√°sica. Ap√≥s a consulta p√ļblica, a vers√£o final da Base ser√° entregue ao Conselho Nacional de Educa√ß√£o (CNE) em julho de 2016.

O Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale), órgão da Faculdade de Educação (FaE) da UFMG, foi convidado pelo MEC para realizar a coordenação institucional da Base. Assim, o Ceale vem conduzindo, desde maio, toda a parte administrativa do processo, além de participar do grupo que discute as referências para o ensino de Língua Portuguesa e alfabetização.

Referência
A Base Nacional Comum Curricular será a principal referência para orientar escolas, redes e sistemas de ensino na construção de seus currículos. Da creche ao ensino médio, serão definidos os conhecimentos que todos os estudantes brasileiros têm o direito de aprender em cada etapa da educação básica.

Segundo o secret√°rio de Educa√ß√£o B√°sica do MEC, Manuel Pal√°cios, a participa√ß√£o das redes, das escolas, dos munic√≠pios e dos estados na constru√ß√£o da BNCC √© fundamental. ‚ÄúEles ser√£o os principais respons√°veis pela transforma√ß√£o desse par√Ęmetro em pr√°ticas de ensino e em programas de trabalho‚ÄĚ, destacou. Al√©m do eixo comum, os curr√≠culos manter√£o sua parte diferenciada, que deve ser constru√≠da de acordo com a realidade de cada escola, em aten√ß√£o tanto √† cultura local quanto √†s diretrizes de cada sistema educacional.

A BNCC se divide em quatro áreas fundamentais, formadas por componentes curriculares: Ciências Humanas (seus componentes são Filosofia, Sociologia, Geografia, História e Religião), Ciências da Natureza (Física, Química, Biologia e Ciências), Linguagens (Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Artes e Educação Física) e Matemática (componente curricular e área própria ao mesmo tempo).

Para a diretora do Ceale, Isabel Cristina Frade, assessora da √°rea de Linguagens no processo de elabora√ß√£o da Base Nacional Comum, ‚Äú√© importante levar em considera√ß√£o o di√°logo com as pr√°ticas sociais e as finalidades da educa√ß√£o brasileira negociadas com a sociedade‚ÄĚ.

Como desafio do processo, ela destaca a necessidade de se criar uma organicidade entre as diferentes √°reas do conhecimento por meio da constru√ß√£o de eixos articuladores.‚ÄúO caminho n√£o √© cada um por si, cada componente curricular em sua ‚Äėzona de conforto‚Äô. Todos devem pensar nessa integra√ß√£o pelo desafio da interdisciplinaridade, que n√£o √© uma moda, um conceito m√°gico, mas uma estrutura que garante articula√ß√Ķes poss√≠veis, e n√£o articula√ß√Ķes for√ßadas‚ÄĚ, completa.

Direitos de aprendizagem
A professora Cl√°udia Ricci, do Centro Pedag√≥gico, integra a comiss√£o do MEC como assessora da √°rea de Ci√™ncias Humanas. Ela conta que o primeiro passo foi levantar propostas curriculares dos estados brasileiros para, em seguida, desenvolver um esbo√ßo das √°reas e componentes curriculares, suas import√Ęncias e objetivos. ‚ÄúDiscutimos bastante os direitos de aprendizagem, as dimens√Ķes e o campo de forma√ß√£o, o pano de fundo da Base. Vivemos um movimento de agrupar, identificar pontos comuns entre as √°reas e componentes diferentes‚ÄĚ, relata Cl√°udia Ricci.

Para ela, a implantação da BNCC é fundamental para a melhoria da educação básica no Brasil. “Temos de parar de deixar os livros didáticos e os sistemas de avaliação pautarem o currículo para passarmos a deixar o currículo pautar esses sistemas e materiais. Trata-se de um processo cheio de conflitos e resistências, mas que é mais do que necessário", sustenta.

Ainda sobre a import√Ęncia da cria√ß√£o da Base, ela considera que n√£o s√≥ o produto final ser√° relevante, mas todo o processo, em si, representa um ganho: ‚ÄúDialogar com diferentes interlocutores, mobilizar a sociedade a se posicionar frente a algo que √© importante, se envolver com a escola: tudo isso √© um grande avan√ßo‚ÄĚ.

Al√©m de Isabel Frade e Cl√°udia Ricci, tamb√©m comp√Ķem a comiss√£o de especialistas da BNCC os professores da Faculdade de Educa√ß√£o da UFMG Danusa Munford, Eduardo Mortimer e Maria Z√©lia Versiani Machado (vice-diretora do Ceale).

Texto: Manuela Peixoto

Foto: Fernanda Wardil/Cedecom