Pol√≠ticas p√ļblicas como avalia√ß√£o

A mesa redonda da manh√£ de quarta debateu as avalia√ß√Ķes p√ļblicas de alfabetiza√ß√£o e apresentou a ANA pela primeira vez


     

Acontece ‚ÄĘ Sexta-feira, 12 de Julho de 2013, 18:13:00

Por Ana Carolina Marques ‚Äď Equipe de Jornalismo do Ceale


Na quarta-feira (10), a mesa redonda coordenada por Maria do Socorro Alencar Nunes Macedo (UFSJ) teve participa√ß√£o dos expositores Artur Gomes de Morais (UFPE), Darlize Teixeira de Mello (Rede Municipal de Educa√ß√£o de Porto Alegre/RS), Ticiane Bombassaro Marassi (INEP/MEC)¬†e da debatedora Cecilia Maria Aldigueri Goulart (UFF). O objetivo foi discutir e apresentar pol√≠ticas p√ļblicas de avalia√ß√£o.


Darlize apresentou dados sobre a Provinha Brasil, avalia√ß√£o diagn√≥stica aplicada no segundo ano do ensino fundamental, no come√ßo e no fim do ano letivo. Elaborada pelo INEP e distribu√≠da pelo MEC, a Provinha tem como objetivo avaliar o n√≠vel de alfabetiza√ß√£o dos alunos nos anos iniciais do ensino fundamental e diagnosticar poss√≠veis insufici√™ncias das habilidades de leitura e escrita. Darlize levantou algumas provoca√ß√Ķes sobre os efeitos da aplica√ß√£o da Provinha Brasil em Porto Alegre e tamb√©m sobre diferentes perspectivas de an√°lise dos resultados: que tipo de an√°lise poderia ser feita tendo como foco os resultados medianos dos alunos, e n√£o os resultados de maior √≠ndice de acerto? Os professores t√™m dado aten√ß√£o para as quest√Ķes nas quais os alunos apresentam dificuldade? Quais s√£o os resultados da aplica√ß√£o da Provinha nas escolas municipais brasileiras?


Apresentação da ANA


A pesquisadora do INEP Ticiane Marassi apresentou a Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), que será aplicada em novembro. Trata-se da primeira avaliação no contexto do PNAIC (Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa), e esta foi a primeira apresentação oficial da ANA desde o início de sua elaboração.


A ANA é uma colaboração entre o INEP e o MEC. Segundo Ticiane, havia uma grande preocupação no sentido de elaborar uma nova forma de avaliação a nível nacional que não culpasse o aluno por seu mau desempenho. A pesquisadora assegurou que a Provinha Brasil não deixará de existir com a aplicação da ANA. A avaliação conta com a um sistema informatizado para coleta e tratamento dos resultados da Provinha, em que o próprio professor poderá inseri-los e gerar relatórios.


Ticiane explicou que a ANA √© composta por cinco eixos de avalia√ß√£o: gest√£o, infraestrutura, forma√ß√£o docente e organiza√ß√£o do trabalho pedag√≥gico e o desempenho das crian√ßas ao final do ciclo de alfabetiza√ß√£o. √Č importante que a avalia√ß√£o funcione como um indicador √ļnico que leve em conta todos os cinco eixos, para abandonar o conceito de m√©dia de desempenho, passando a avaliar n√≠veis de alfabetiza√ß√£o. Assim como a Provinha Brasil, a ANA n√£o far√° parte do IDEB (√ćndice de Desenvolvimento da Educa√ß√£o B√°sica), j√° que neste primeiro momento se trata de uma aplica√ß√£o piloto, vinculada √† Provinha Brasil.

Os resultados da ANA ser√£o divulgados de forma que o gestor possa observar n√£o somente o desempenho dos alunos, mas as informa√ß√Ķes como um todo.

O MEC em discuss√£o

Para Artur Gomes, avalia√ß√Ķes aplicadas em larga escala s√£o instrumentos muito mais amplos que exames, e precisam ajudar os docentes a ajustar suas formas de ensino √†s necessidades especificas dos alunos. Segundo o pesquisador, o MEC vem sendo omisso quanto √† defini√ß√£o de curr√≠culos nacionais de alfabetiza√ß√£o. Para Artur, √© necess√°rio encarar a necessidade de curr√≠culos nacionais e avalia√ß√Ķes que trabalhem com compara√ß√£o nacional.

Artur tamb√©m questionou cr√≠ticas comumente feitas √†s avalia√ß√Ķes a n√≠vel nacional: para ele, n√£o faz sentido cobrar que as provas avaliem a oralidade, j√° que este √© um papel do professor. Al√©m disso, Artur n√£o v√™ de forma negativa a avalia√ß√£o de habilidades b√°sicasde letramento pela Provinha Brasil. ‚ÄúMe parece equivocado e politicamente perigoso partir do pressuposto que os alfabetizadores em geral sabem avaliar seus alunos adequadamente.‚ÄĚ, afirmou Artur, iniciando uma discuss√£o pol√™mica.

O pesquisador ressaltou ainda a import√Ęncia de cobrar do MEC posicionamentos s√≥lidos com rela√ß√£o aos curr√≠culos nacionais, e n√£o s√≥ avalia√ß√Ķes externas. Como formador de alfabetizadores, ele nota que os professores n√£o sabem o que se espera deles mesmos ou mesmo dos estudantes no fim do ano letivo.

Citando Paulo Freire, a debatedora Cec√≠lia Goulart destacou a import√Ęncia de se considerar a realidade cultural da crian√ßa. Para a pesquisadora, √© problem√°tico que n√£o se veja a crian√ßa, e sim seu problema de aprendizado. Cec√≠lia afirmou que os professores precisam ter identidade pol√≠tica e ideol√≥gica, precisam parar de ser invilibilizados: ‚Äúas avalia√ß√Ķes nacionais n√£o dizem mais sobre o aluno do que o professor que o ensina, mas ainda assim o alfabetizador n√£o tem voz e √© visto como algu√©m que precisa ser ensinado‚ÄĚ.

A pesquisadora questionou tamb√©m o objetivo das avalia√ß√Ķes a n√≠vel nacional: ‚Äúqueremos padronizar as redes de ensino?‚ÄĚ. Segundo Cec√≠lia, √© necess√°rio unir-se n√£o para pensar igual, mas para pensar em coletivo o que se pode fazer para melhorar a educa√ß√£o.