Multimodalidade, interculturalidade e escolaridade foram os temas discutidos na segunda mesa redonda do 5º Colóquio Internacional sobre Letramento e Cultura Escrita, realizado na Faculdade de Educação da UFMG. A discussão, que encerrou as atividades desta terça (12), teve a participação de Judy Kalman, do Centro de Investigación y de Estúdios Avanzados do México, Maria Zélia Versiani Machado, pesquisadora do Ceale e professora da UFMG, e Virgínia Zavala, da Universidad Católica Lima, no Peru.
A professora Judy Kalman iniciou o evento falando um pouco sobre as possibilidades de auxílio da tecnologia nos processos que envolvem a cultura escrita. Ela cita como exemplo a tradução, quase simultânea, durante a Copa do Mundo, onde os tradutores puderam trabalhar de suas próprias casas, recebendo o áudio, traduzindo simultaneamente e enviando aos encarregados pela correção, que disponibilizariam então a tradução imediata. Esse processo era realizado entre diferentes países e através da tecnologia. Ela mostrou também alguns jogos digitais educativos e fala de como a alfabetização gera civilidade e democracia.
Maria Zélia Versiani falou sobre perspectiva metodológica de pesquisa sobre práticas de letramento escolares e não escolares em contexto rural. A pesquisa conta com Diários de Participantes, escritos por alunos de Escola Família Agrícola – EFA – de Minas Gerais. Por meio desses diários e de entrevistas, está sendo realizado um estudo sobre o que a escrita e os depoimentos revelam a respeito do letramento de jovens estudantes do campo. Os instrumentos são usados na pesquisa exploratória para identificar práticas mediadas pela leitura e escrita no ambiente familiar e na escola, dando visibilidade a atividades culturais, a usos da internet, ao engajamento em atividades religiosas, a atividades relativas aos estudos e ao trabalho, mediadas pela escrita.
A última palestrante, Virgínia Zavala, falou sobre a literatura e tradução no processo de ensino da quéchua, língua indígena da América do Sul e uma das línguas oficiais do Peru. A educação bilíngue no país, no entanto, só foi implantada em áreas rurais. Por esse motivo, iniciou-se uma segregação racial, tanto por professores como por alunos mais “urbanizados”, onde falar quéchua corresponde a possuir um passado em áreas rurais. Sua pesquisa conta que crianças e jovens, então, têm escondido seu conhecimento da língua para não projetar uma identidade vulnerável. Existem programas de revitalização do quéchua, e a introdução dessa língua no primário em escolas urbanas faz parte dessa política.