Graça Paulino, em suas próprias palavras | parte 4


     

Letra A ‚ÄĘ Quinta-feira, 17 de Outubro de 2019, 17:13:00

 
Favores, presentes, troféus: livros na escola 
 
Quando, em 1955, fui levada pela primeira vez à escola, esperava penetrar no universo de livros que em minha casa não existia. Nasci sem biblioteca, e, aos sete anos, imaginava rapidamente aprender a ler e começar a ter acesso aos livros. Engano bobo: os livros seriam mais difíceis do que eu pensava. 
 
Apenas grandes cartazes exibiam para nós a história de Lili. Ah, o livro, esse primeiro e preciosíssimo livro... apenas alguns puderam comprá-lo, e eu não estava entre estes. Dona Julieta, uma santa professora, apesar de muito brava, chegava com as fichas de cartolina manuscritas, todos os dias. Eu achava as historinhas da Lili simplesmente o máximo: 
 
Olhem para mim. 
Eu me chamo Lili. 
Eu comi muito doce. 
Vocês gostam de doce? 
Eu gosto tanto de doce! 
 
Alguém pode achar simplesmente tolice uma menina aparecer dizendo que comeu muito doce porque gosta muito de doce. Por acaso doce é um assunto relevante, digno de se tratar numa cartilha? Não haveria temas mais nobres, mais inteligentes e mais candentes? Sei que só pensaria assim quem não foi alfabetizado pela cartilha da Lili. Alienada, sim, fora da realidade nossa, sim. E daí? Lili tinha um piano, uma cadelinha chamada Suzete, um amigo, o Joãozinho, que por sua vez era dono do Totó. Fora isso, uma patinha, uma galinha Nanica, um burrinho... e a vovó. Qualquer Paulo Freire se arrepiaria de horror, mas as crianças mineiras de 1955 adoraram essa turma de personagens.
 
Mentira, n√£o posso falar por todas. Acabo de lembrar-me do tanto de colegas, aqueles que iam descal√ßos para a aula, chorando, de castigo no corredor da escola, quase todos os dias, no primeiro ano. Depois sumiram, ou ficaram para tr√°s. Minha m√£e me comprava um Vulcabr√°s por ano (ai, como o ded√£o do p√© do√≠a a partir do m√™s de agosto!), mas n√£o me comprou o livro da Lili, que a escola prometeu e n√£o deu. Talvez incentivada pelos sapatos, n√£o fiquei para tr√°s junto com aqueles que dona Julieta, a brava, denominava ‚Äúos moleques‚ÄĚ. Ali√°s, acho que fui bem para frente, porque me apaixonei pela Lili. Doces, piano, amiguinho bonzinho, bichos. Tinha cheiro de classe m√©dia, que para mim era a classe alta, onde devia ser muito bom estar aninhada, comendo muito doce.¬†
 
Seriam os livros caros como hoje? Acho que custavam uma fortuna, pois eu n√£o conhecia quase ningu√©m que tivesse livros, nem a escola podia t√™-los √† vontade. Se √≠amos √† biblioteca, o que acontecia muito raramente, uma velha e casmurra professora lia para n√≥s em voz alta os preciosos textos, em livros ‚ÄĒ precios√≠ssimos livros ‚ÄĒ que n√£o pod√≠amos tocar. Distantes, eu os desejava cada vez mais, enlouquecia de vontade de ter especialmente um deles, que contava coisas extraordin√°rias: As mais belas hist√≥rias, de L√ļcia Casassanta. Era uma antologia de contos infantis do mundo inteiro, narrados com leveza, rapidez e t√©cnica narrativa quase impec√°vel. A biblioteca tinha esse livro, dona Julieta tinha esse livro, dois colegas ricos tinham esse livro. Mais ningu√©m. Deviam ser mesmo muito caros os livros em 1955.¬†
 
Assim, virgem de livros, passei os dois primeiros anos da escola. Aqueles colegas ricos, muito ricos, milion√°rios, pois √©ramos todos muito pobres, compraram, no segundo ano, um livro de Ci√™ncias e outro de Geografia. Confesso que planejei um roubo, mas n√£o cheguei a realiz√°-lo. N√£o por virtude que fosse mais forte que a minha enlouquecida vontade de ler. N√£o virei ladra de livros especialmente porque me tornei amiga das filhas do patr√£o de minha m√£e, e elas passaram a emprestar-me seus livros ‚Äúusados‚ÄĚ. Melhor mesmo foi quando resolveram liberar-me o acesso ao Tesouro da Juventude, e acreditem, ao melhor livro de todos para mim na √©poca, As mais belas hist√≥rias, fonte inesgot√°vel de prazeres na minha inf√Ęncia.¬†
 
Eram duas as filhas do patr√£o. Sei que uma delas, j√° mo√ßa, morreu. A outra, n√£o por acaso de nome Auxiliadora ‚ÄĒ Auxiliadora Pacheco, de Belo Horizonte, Bairro Padre Eust√°quio ‚ÄĒ quero que saiba, se estiver lendo esta minha hist√≥ria, que nesses tantos anos jamais esqueci o gesto fraterno e fundamental de emprestar-me os livros seus quando √©ramos meninas t√£o pequenas e de classes sociais t√£o diferentes. Perdemos contato, t√£o logo mudei de endere√ßo e minha m√£e de emprego, mas minha difusa gratid√£o dura a vida inteira.¬†
 
A gratid√£o, sim, mas a paci√™ncia, n√£o. No fim do curso prim√°rio, incomodava-me um pouco aquela minha depend√™ncia bibliogr√°fica das filhas do patr√£o, mesmo porque elas nunca liam os livros que tinham e achavam meio esquisita a minha tara. Na quarta s√©rie, ao fim de muito choro, obtive de minha m√£e a permiss√£o para ir sozinha, de √īnibus, ao centro de Belo Horizonte, onde se localizava a Biblioteca do SESC. Foi emocionante: eu tinha um registro pessoal, independente, e um cart√£o que me permitia levar para casa dois livros por vez, com uma semana de prazo para devolv√™-los. Comecei, sei l√° porqu√™, pela cole√ß√£o dos escritores que tinham ganhado o pr√™mio Nobel. Gostei de alguns, n√£o de outros, que mal entendi. Depois passei por Mark Twain, Hemingway, Erico Ver√≠ssimo, Tolstoi. N√£o tinha de pedir permiss√£o a ningu√©m, era s√≥ escolher e ler. Melhor: para todos os efeitos, em casa, eu estava sempre estudando. Li Bertrand Russel e Michel Zevaco, li Krishnamurti e Faulkner. Tudo misturado, muito livro fora de hora. Entretanto, era comer bacalhoada com feij√£o e farinha. Uma del√≠cia. Jos√© Mauro de Vasconcelos ainda n√£o tinha escrito Meu p√© de laranja lima. Se tivesse, decerto o leria tamb√©m.¬†
 
Passei a adolescência inteira a ler e a roer as unhas. Talvez não fosse um esporte muito saudável, mas eu não queria saber de outro. As pessoas me pareciam sem encantos, comparadas às personagens. Meu primeiro namorado, Da cozinha à mesa posta 81 por exemplo, detestava literatura, e só falava de automóveis. Coitado... um silvo breve: atenção, siga. 
 
O fato é que a escola de meus primeiros anos fez bem pouco para alimentar meu prazer de leitora. Apenas a professora da terceira série, no grupo escolar, me dera de presente um livro, o primeiro livro que ganhei na vida. Era um livrinho no sentido exato do termo, pois pertencia à Coleção Formiguinha, de uma editora de Portugal. Ela presenteou a todos os seus alunos, mas, particularmente a mim, com esse livrinho lindo. Na contracapa, a dedicatória que, se esqueci, recrio: Para minha querida aluna Maria das Graças, com o abraço de sua Professora Leny. Senti-me muito importante. Você já deve ter morrido, Leny, pois já era velhinha em 1957. Mas, se em algum lugar da imaginação dos poetas ou na fé dos religiosos, os mortos podem continuar fazendo a leitura dos vivos, a senhora, você, minha querida professora, deve estar feliz com o acerto de seu gesto. Até hoje me lembro da história: os dois corcundinhas. Viviam outrora, bem longe das gentes... dois corcundinhas. Viviam outrora, bem longe das gentes... 
 
No fim do curso prim√°rio, ganhei um pr√™mio pelo primeiro lugar geral. A cerim√īnia foi no cinema do bairro, no lugar da tela uma mesa grande com flores, e minha m√£e, minha madrinha, minhas tias, meus primos na plateia. Chamaram alto meu nome completo. Caminhei at√© o palco com as pernas bambas e a vista escura. A diretora me abra√ßou e me entregou de presente uma caneta tinteiro. Parker, n√£o: Compactor. Assim mesmo valia muito para mim, mas em sil√™ncio indaguei: por que n√£o era um livro? Quando desci, minha m√£e me esperava aos prantos.¬†
 
Talvez pelo destaque, consegui uma bolsa de estudos no col√©gio de freiras mais pr√≥ximo: Col√©gio S√£o Pascoal. O ensino me parecia vagaroso, as colegas me pareciam bobas e alegres. O pior n√£o era isso, era a eterna falta de livros. A aula de biblioteca continuava a mesma do grupo. Os livros trancados em estantes envidra√ßadas, e a gente ouvindo, ouvindo. As irm√£s detestavam minha insist√™ncia em l√™-los. Vi que A carne, de J√ļlio Ribeiro, estava l√°, ao lado dos Serm√Ķes do Padre Vieira. N√£o entendia aquela conviv√™ncia. Ser√° que o padre era pornogr√°fico? Consegui-o na biblioteca p√ļblica e intu√≠ o motivo do veto: raciocinava de modo brilhante o tempo inteiro, e raciocinar nunca combinou bem com os artigos de f√©. Permaneci tr√™s anos nessa escola estranha, em que a norma era pensar pouco. Na verdade, quem ia se tornando meio estranha era eu.¬†
 
A partir da quarta s√©rie do gin√°sio tornei-me aluna do famoso Col√©gio Municipal de Belo Horizonte. Era um s√≥, vai ver que a cidade tinha muito menos gente precisando de escola p√ļblica... Os professores me pareceram imponentes, distantes, verdadeiros s√°bios. Ganhavam muito bem, os professores p√ļblicos daquela √©poca. Mas o melhor √© que o Col√©gio Municipal tinha uma biblioteca de verdade. Era um c√īmodo enorme, repleto de estantes sem vidros, abarrotadas de livros. Pod√≠amos lev√°-los para casa, tal como nas bibliotecas normais da cidade. Passei a pegar no m√≠nimo uns quatro livros por semana.¬†
 
Comecei a gostar de poesia. O professor de português fizera um comentário terrível sobre um poeta, Carlos Drummond de Andrade, que tinha um poema reproduzido no nosso livro didático. Tinha ouvido dizer que o poeta gostava de meninas colegiais, da nossa idade. Não entendi direito a intenção do professor, mas fui direto aos livros de Drummond. De repente a poesia me chegava, me atingia a alma e a cabeça, e eu queria saber de cor os versos, queria guardá-los comigo pelo resto da vida. Decorei muitos, não só de Drummond, também de Fernando Pessoa, Manuel Bandeira e Cecilia Meireles. Este era o meu quarteto preferido. 
 
N√£o troquei as narrativas pela poesia, porque sempre senti as duas muito diferentes. Acima de todos os meus conhecimentos te√≥ricos, que me permitem entender as misturas dos g√™neros, ficou sempre essa for√ßa das leituras de minha juventude. Mas, at√© hoje me lembro tamb√©m de outra hist√≥ria: os meus professores. Viviam outrora, bem perto das novas gentes... Mandavam-me ler, sim, sempre para provas. Certa vez, num ano que agora corresponde ao nono ano, o professor, Enio Birchal, mandou que l√™ssemos O Guarani. Resolvi declarar (√†s vezes n√£o o fazia, curtindo o pretexto de reler) que j√° tinha lido o livro, e pedi que me fosse indicado outro. Irado, talvez, ele determinou que eu lesse Ora√ß√£o aos mo√ßos, de Rui Barbosa. Na prova, foi pedido que comentasse uma passagem famosa: ‚ÄúA lei da igualdade n√£o consiste sen√£o em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam‚ÄĚ. ‚ÄĒ
 
Questionei. acreditem, atrevidamente, o ‚Äú√Āguia de Haia‚ÄĚ. Questionei. Quem est√° quinhoando? Com qual autoridade? Quem lhe delegou tal poder? Que crit√©rios foram usados para estabelecerem quais as desigualdades? Na √©poca, 1964, poderia interpretar-se minha prova como anti-militarista e a minha argumenta√ß√£o como subversiva at√©. Hoje me soa mais como um questionamento ao neoliberalismo, que s√≥ tem uma resposta certa para todas Da cozinha √† mesa posta 83 essas perguntas: o mercado. O mercado vive quinhoando desigualmente as pessoas e estabelecendo medidas arbitr√°rias de desigualdade.¬†
 
De qualquer modo, ganhei nota m√°xima e passei a ser chamada de Rui pelos colegas e pelo professor. Tornei-me Rui por ter ousado ler sem subservi√™ncia o texto de Rui. Com certeza, ele tamb√©m ter√° feito isso ao ler outros textos. Por exemplo, quando propaga como lei dos homens o poder de ‚Äúquinhoar‚ÄĚ, retira de Deus aquela que deveria ser sua exclusiva pot√™ncia. Claro que a justi√ßa divina s√≥ pode ser derivada da f√©. A morte, por leucemia, de uma encantadora crian√ßa aos cinco anos de idade, s√≥ pode legitimar-se pela f√© em Deus, que, afinal, √© aquele que escreveria certo por linhas tortas. Nenhum outro ‚Äėjuiz‚ÄĚ assumiria como necess√°ria essa morte. Mas certos juizes sociais se sentem acima de Deus, e seus desmandos n√£o t√™m limites.¬†
 
Enfim, ruis barbosas √† parte, acredito que li pouco e mal para meus professores. Precocemente tornei-me arrogante, atitude que s√≥ a crise de identidade da adolesc√™ncia poderia explicar. Julgava meu repert√≥rio de textos o m√°ximo. Pobre de mim, a cada ano que passa vejo s√≥ aumentar o n√ļmero de livros que devo e quero ler. Mas, pelo menos dei in√≠cio bem cedo √† tarefa grat√≠ssima de circular sem medo pelos labirintos das p√°ginas impressas.¬†
 
√Č claro que, cercada de livros por todos os lados, eu s√≥ poderia chegar a uma Faculdade de Letras, onde imaginei uma conviv√™ncia melhor com a literatura. Na verdade, tinha-me interessado a teoria liter√°ria quando ainda estava no segundo ano cl√°ssico. Ao perceber isso, meu grande professor Luiz Carlos Alves, cognominado O Baiano, apressou-se em me oferecer emprestado um exemplar da Teoria da Literatura de Austin Warren e Ren√© Wellek. Assim incentivada, n√£o s√≥ fui parar na Faculdade de Letras da UFMG, como tamb√©m logo me tornei estagi√°ria de Teoria. Em 1975 comecei minha carreira de professora universit√°ria. N√£o que o curso, por si mesmo, me levasse a isso. Mais uma vez eu me frustrara por n√£o encontrar um ambiente de leitura e leitores que fosse instigante, prazeroso, motivador. Mais uma vez eu li para provas e trabalhos frios, contra os quais diversas vezes me rebelava em sil√™ncio.¬†
 
A escola tem como objetivo explícito trabalhar no sentido de introduzir os alunos no mundo da escrita, ajudando-os a desenvolver as habilidades de leitura e produção dos textos existentes em nossa vida social. Falar disso é fácil, mas no Brasil a prática tem sido outra. Como professora, tentei e tento mudar essa realidade. Minha tese de Doutorado, intitulada Leitores sem textos, faz parte dessa série de tentativas. Debrucei-me sobre a questão da falta de leitura literária no Brasil de hoje, analisando as causas dessa falta de gosto popular pelos livros. Uma delas, com certeza a mais determinante, está na própria maneira idiota com que a escola tem trabalhado a leitura. 
 
Ali√°s, desde meu tempo de pequena estudante, algo j√° estava errado nas escolas com rela√ß√£o √† leitura. O livro did√°tico, √† primeira vista, seria um instrumento adequado para que os alunos se habituassem ao trato com o texto escrito. Mas, por que, depois da Lili, nunca mais simpatizei com meus livros did√°ticos? Achava-os frios, confusos. Hoje entendo. Acontece que, quase sempre, os professores escolhem os livros de seu agrado, fora do alcance de alunos. Para resolver o problema assim criado, multiplicam-se as aulas expositivas que repetem, oralmente, o que j√° estava escrito no livro. √Č uma trag√©dia.¬†
 
Resultado: os alunos continuam dependentes da palavra falada, sem entender por seus pr√≥prios meios o escrito de um livro que parece ser real mas n√£o √©. Nas provas, o professor formula as quest√Ķes por escrito, mas as l√™ em voz alta, reapresentando-as com os recursos da l√≠ngua oral. Ao repetir oralmente o conte√ļdo de um livro, ao ler em voz alta, ‚Äútraduzindo‚ÄĚ as quest√Ķes propostas por escrito, o professor acomoda seus alunos a um monitoramento que, no m√≠nimo, transforma-os em analfabetos funcionais. Segundo o linguista mineiro M√°rio Perini, todo alfabetizado que n√£o consegue entender os textos escritos de que necessita, dispensando a transmiss√£o oral de informa√ß√Ķes e instru√ß√Ķes, n√£o consegue fazer da leitura um instrumento √ļtil na vida di√°ria, e, na verdade, √© um analfabeto funcional.¬†
 
De analfabetos liter√°rios as escolas tamb√©m andam cheias, e sei disso desde os anos cinquenta, quando pisei pela primeira vez numa sala de aula. A maioria dos alunos frequenta aulas de portugu√™s por v√°rios anos sem aprender a ler literariamente narrativa e poesia. Por ler literariamente um texto, entendo que o leitor seja capaz de sentir prazer, prazer este associado √† recria√ß√£o verbal e √† libera√ß√£o da fantasia, num di√°logo pr√≥prio da experi√™ncia art√≠stica. Normalmente, por√©m, os alunos leem livros que n√£o escolheram, para serem avaliados de forma ‚Äúobjetiva‚ÄĚ, isto √©, leem para depois provarem que foram atentos e fi√©is a um sentido que est√° pronto no texto, o qual s√≥ lhes resta reproduzir. Pensando bem, √© muito triste nossa hist√≥ria de leitores na escola. E esta eu quero que tenha final feliz. Com rela√ß√£o √† realidade, concordo com Cec√≠lia Meireles: ‚ÄúA vida s√≥ √© poss√≠vel reinventada‚ÄĚ. Como j√° lhes contei, havia uma plateia orgulhosa me vendo receber o primeiro diploma. A menina cheia de letras era uma honra para a fam√≠lia. Hoje j√° est√£o quase todos mortos. Apenas minha madrinha reza por mim ainda. Mas √© a todos, a todos eles, que dedico esta minha hist√≥ria que continua e continua... reinventada.¬†
 
*O texto foi cedido para reprodução pela Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio e pela família de Graça Paulino e retirado do livro Ler & Fazer (abaixo). 
 
 
 
Ler & Fazer. Yunes, Eliana (org). Rio: Editora PUC-Rio - Catedra Unesco de Leitura / S√£o Paulo: Editora Reflex√£o, 2010 ‚Äď Cole√ß√£o Leituras & Leitores. 152 p.
 

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